Uma mão com luva segurando dois copos plásticos sujos de areia com a palavra "eco" impressa em cada um deles
Sustainability
Published On
Jan 31, 2020

A maioria de nós sabe o quanto os nossos hábitos de consumo podem ser ruins para o planeta e para outras pessoas ao redor do mundo. Com empresas colocando palavras como “verde, ecofriendly, biodegradável, reciclável, orgânico, certificação, sustentável e ético” em suas embalagens, pode ser bem difícil saber o que é verdade e o que é mentira.

Esses atributos podem funcionar como um gatilho para os nossos sentidos quando associados a um produto. Sim, eles são úteis como parte da estratégia de uma marca para comunicar de forma clara sobre uma inovação que vale a pena divulgar. Mas é necessário questionar o propósito por trás desses conceitos.

Prazer, greenwashing. Conhecido também como lavagem ou maquiagem verde, essa é uma prática bem presente por aí.

Imagine a seguinte situação: você está em uma farmácia, procurando um shampoo. Durante a sua busca, você se depara com uma nova linha de produtos com uma embalagem super atrativa, contendo palavras como “planeta, sustentável, vegano e ecofriendly”.

Você pensa: “Que legal isso! Vou levar um produto que é amigo do planeta, de uma empresa que está preocupada com seus produtos e com quem consome”.

Incrível, não é mesmo?

Só que aí, ao chegar em casa, você resolve dar uma pesquisada sobre o shampoo. Ou alguma amiga sua, que é super ligada em questões sustentáveis, te diz que essa nova linha não tem nada de sustentável. E aí, como é que fica?

Bem, eu já caí nessa. Hoje sempre que uma nova linha ou produto é lançada no mercado, eu logo vou dar um Google pra saber o que tá rolando antes de ir lá e comprar. E mais, eu dou aquela olhada na composição.

Mas por que toda essa essa preocupação?

Ora, porque acho uma decisão muito infeliz vender um produto dizendo que ele é X quando na verdade ele é Y. Porque acho uma sacanagem essa falta de transparência. Porque meus valores, assim como de muitas outras pessoas, estão ligados com uma maior consciência sobre o que consumo, na medida do possível.

E em tempos de Internet, a gente já está dando um jeito de descobrir o que é lorota e o que é autêntico.

Recentemente, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor fez uma análise de mais de 500 embalagens de diversas empresas ligadas à higiene, limpeza e utilidade doméstica. Adivinha o resultado? Metade dessas empresas praticam greenwashing. Muitas delas bem conhecidas, responsáveis por criar produtos que você consome. Infelizmente, apenas 22 disseram que vão adequar seus rótulos.

OK, mas por que mudar meu produto?

Sustentabilidade que não é genuína não cola. Usar o discurso para recuperar uma fatia de mercado também não dá. Seja sustentável de dentro pra fora. Pense em medidas que a sua empresa pode implementar, aos poucos, para se conectar verdadeiramente com a sua audiência.

Ela vai perceber. E provavelmente, vai gostar disso. O consumidor, cada vez mais engajado com a sustentabilidade, tem o poder de mudar a prática do greenwashing e transformar o mercado: pelo menos no Brasil, 9 em cada 10 pessoas acreditam que ações de desenvolvimento sustentáveis são importantes.

Se você está lendo esse texto é porque está ciente da urgência em agir para o bem e quebrar os modelos atuais, certo? Então este é o momento em que você tem que se engajar na responsabilidade que está escolhendo.

Se a sua marca se encaixa em algum dos pontos abaixo, provavelmente você está praticando greenwashing.

  • Apresenta uma alegação, mas não há provas, opa: é hora de rever isso.
  • Apresenta expressões vagas, como “amiga do meio ambiente”, sem fornecer atitudes ambientalmente concretas - a Norma ABNT ISO 14021 proíbe isso.
  • Apresenta informações irrelevantes, como "não contém CFC". Essa substância é proibida por lei desde 1999, então não é um diferencial.
  • Tem um símbolo que parece um selo ou certificado que não existe, feito apenas para dar a impressão de que sua marca se importa.
  • Diz que o produto tem descarte seletivo mas não existe controle sobre isso.
  • Diz que seu produto economiza mais água, porque ele é descartável e por isso não precisa ser lavado. Oi? E o problema ambiental?

Não adianta vir de lorota se o seu discurso, produto ou serviço em nada agrega à proteção da natureza e pior, só traz impactos negativos. Branding e marketing verde só são legais quando o produto é verde de verdade. Se não, é melhor poupar seus esforços em tornar as coisas melhores.

Leia também: #JulhoSemPlástico: você se preocupa com as embalagens dos seus produtos?

Enquanto consumidor, na dúvida, mande mensagem, pergunte, pesquise. A distância entre a promessa e a realidade é um grande desserviço ambiental. O assunto é extenso e eu poderia tornar esse texto bem maior. Mas deixarei para continuar nos próximos textos.

Se eu pudesse dizer uma única coisa para as marcas hoje, é isso: para realmente dar um passo significativo rumo à sustentabilidade, preocupe-se primeiro em encontrar o seu "porquê", um propósito que impulsione a mudança de forma orgânica. Só assim, apesar de todos os rótulos, certificações e inovações verdes, não vamos só agir de forma sustentável, vamos agir pela sustentabilidade.

Texto publicado originalmente no meu LinkedIn.

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